Nestas épocas do ano, em especial o Natal, sentimos o cansaço do ano que está findando, e nos deparamos com uma página em branco que se coloca a nossa frente. São mais 365 dias a nossa espera para escrevermos nossa história. O ser humano é talvez o único animal que tem uma história, e que bom que é assim. Meditava então sobre o capítulo escrito no ano, e mais, sobre a época natalina, quando comecei a sentir uma espécie de formigamento bem familiar no meu braço direito, aliado a sensação de não estar sozinho. Sim, meu velho amigo vem me visitar:
— Salve menino! Quanto tempo hein?
— Meu Deus! Que grata surpresa, meu amigo “A Noite”. Estava com saudades e pensando em você.
— Sim. Por isso estou aqui. Esqueceu nossas conversas? Não lembras que para solicitar nossa presença (refere-se o autor espiritual aos Espíritos) basta o pensamento? Andavas ocupado e havia me esquecido não?
— Não negarei, meu pai. Muito trabalho tenho tido ultimamente. Mas quis Deus me presentear com a vossa presença nesta noite.
— O trabalho enobrece o Espírito. Portanto, aproveita que estou aqui e vamos ao trabalho, sempre o trabalho!
Nosso país, apesar de ostentar o título de ser uma grande pátria cristã, pouquíssimos entendem o que é ser cristão. O cristianismo não é, como se imagina, um conjunto de regras a se seguir. É muito mais que isso.
Ser cristão, é antes de tudo entender que o Cristo não é uma energia ou algo do tipo, mas uma pessoa real, alguém que temos a possibilidade de nos comunicar através da oração. Ele é o portador da graça, algo que ao entrar em contato com nosso espírito tem a possibilidade de modificá-lo, e fazer com que a natureza humana possa – de acordo também com nossa disposição, ser modificada e ir além, ou seja, ganhar uma natureza divina. Tudo isso é complicado, eu sei, e também não explicarei detalhadamente nesta ocasião. Faremos numa próxima oportunidade, mas o que coloco é suficiente para trazer luz a algo obscuro, principalmente em nossa seara umbandista.
A Umbanda é também uma das moradas do Cristo Jesus, onde reconhecemos Nele nosso salvador e redentor. Como diz o texto sagrado: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós”. Não deixa dúvidas sobre quem é de fato, Jesus.
Assim, meu caro escrivão, lembremos as palavras do nobre Caboclo das 7 Encruzilhadas em uma de suas últimas aparições incorporado em seu médium: “Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda“. E prossegue: “Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos”.
Não me resta muito a acrescentar. Está tudo dito há muito tempo. Lembrem-se irmãos: a Umbanda tem na sua base o Evangelho do Cristo Jesus. Seguir a Jesus é fazer o que Ele mandou, e rogar que sua graça desça sobre nós. Assim conseguirão ser realmente umbandistas; do contrário, serão apenas meros expectadores de algo que poderiam ser. Um feliz Natal e bom início de ano a todos.
Do amigo “A Noite”.

